De 08 a 12 de outubro de 2017

Universidade Federal de Viçosa, MG

Programação

BAIXE AQUI A PROGRAMAÇÃO

Com o intuído de ser sustentável o evento não disponibilizará uma cópia impressa dessa programação.

Sábado 07/10 Domingo 08/10 Segunda 09/10 Terça 10/10 Quarta 11/10 Quinta 12/10
07h e 09h Credenciamento e retirada de material Credenciamento
Minicursos 1 e 24 – PVB
Credenciamento e retirada de material – PVB
07h e 10h
08h às 19h Credenciamento Geral – Hall Fernando Sabino
08h Minicursos 1 e 24 – LOCAL: PVB Minicursos**
(1-27)
08h30 PLENÁRIA 2
+ Simpósios temáticos de apresentação oral
PLENÁRIA 4
+ Simpósios temáticos de apresentação oral
EcoEvol*
PLENÁRIA 6
+ Simpósios temáticos de apresentação oral
EcoEvol*
PLENÁRIA 8
+ Simpósios temáticos de apresentação oral
09h30 Intervalo Coffee Break Coffee Break Coffee Break Coffee Break
10h Minicursos**
(1-27)
MESAS REDONDAS 1, 2, 3, 4, 5 MESAS REDONDAS 11, 12, 13, 14, 15 EcoEvol*
MESAS REDONDAS 21*, 22, 23, 24, 25
EcoEvol*
MESAS REDONDAS 31*, 32, 33, 34, 35
12h Almoço Almoço Almoço Almoço Almoço
13h às 20h Credenciamento e retirada de material – Fernando Sabino
14h

Minicursos 1 e 24 – LOCAL: PVB

 Minicursos**
(1-27)
MESAS REDONDAS 6, 7, 8, 9, 10 MESAS REDONDAS 16, 17, 18, 19, 20 EcoEvol*
MESAS REDONDAS 26*, 27, 28, 29, 30
EcoEvol*
MESAS REDONDAS 36*, 37, 38, 39, 40
16h Intervalo Coffee Break Coffee Break Coffee Break Coffee Break
16h30 às 17h30 Minicursos 1 e 24 – LOCAL: PVB Minicursos**
(1-27)
PLENÁRIA 3
+ Simpósios temáticos de apresentação oral
PLENÁRIA 5
+ Simpósios temáticos de apresentação oral
EcoEvol*
PLENÁRIA 7
+ Simpósios temáticos de apresentação oral
EcoEvol*
PLENÁRIA 9
+ Simpósios temáticos de apresentação oral
Sessão de pôster Sessão de pôster Sessão de pôster Sessão de pôster
18h30 Abertura do evento
19h Assembleia da Sociedade de Ecologia do Brasil Sessão de encerramento
19h30 PLENÁRIA 1

*EcoEvol: Aqui serão apresentadas as plenárias e as mesa-redondas (uma em cada seção) do III Simpósio Internacional de Ecologia e Evolução

**Excepcionalmente, os mini-cursos 1 e 24 terão duração de dois dias (07 e 08 de Outubro) e por isso terão início no dia 07/10 às 08:00h. Todos os outros mini-cursos terão duração de um dia (08/11).


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Com o intuído de ser sustentável o evento não disponibilizará uma cópia impressa dessa programação.


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PLENÁRIAS

1- Plenária de abertura: Professor Michael Begon – University of Liverpool – Reino Unido
Título: Rodent disease ecology – from principles to applications

2 – Dr. Geraldo Wilson Fernandes – Universidade Federal de Minas Gerais
Título: Biodiversidade além da Amazônia

3 – Dr. Ulysses Paulino de Albuquerque – Universidade Federal de Pernambuco
Título: Teoria da construção de nicho ou engenharia de ecossistemas? Desafios teóricos e aplicados da ecologia moderna

4 – Dr. Sheena Cotter – University of Lincoln – Reino Unido
Título: Nutritional complexity and its role in host-parasite interactions

5 – Dr. Thomas Michael Lewinsohn UNICAMP
Título: Nada será como antes amanhã: a transição da Ecologia do século XX para o século XXI

6 – Dr. Philip Martin Fearnside – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia – Brazil
Título: Social and environmental impacts of hydroelectric power plants in Amazon and decision-making

 7 – Dra. Rosane Garcia Colevatti – Universidade Federal de Goiás – Brazil
Título: Bridging population genetics, genomics and macroecology to understand the evolution of Neotropical tree species

8 – Dra. Lacey Knowles – University of Michigan – EUA
Título: Species Divergence Shaped by the Intersects of Ecology and Climate Change

9 – Dra. Ana Carolina Carnaval – CUNY University – EUA
Título: Integrative approaches to biodiversity prediction in the Atlantic Rainforest

Clique no titulo da mesa redonda para ver descrição da mesma.

Coordinator: Dr. Lucas Paolucci

Potential speakers and tentative titles:

  1. Dr. Marcia Macedo (Woods Hole Research Center) – Multiscale impacts of agricultural intensification on Amazon freshwater ecosystems
  2. Dr. Michael Coe (Woods Hole Research Center) – Feedbacks between land cover and climate changes in the Brazilian Amazon
  3. Dr. Lucas Paolucci (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) – Cascading effects of forest degradation on biodiversity and ecosystem functioning

The rainforest-savanna transitional region of the southern Amazon is at the Brazilian agriculture frontier, and is undergoing extreme land-use change that impacts both terrestrial and aquatic ecosystems. Activities such as logging, livestock grazing and agricultural development have created a fire-prone agricultural matrix that fragments native forests and increases the flammability of forest edges, thus altering the dynamics, functioning, and structure of these semi-deciduous seasonal forests. Repeated burning, coupled with the extreme climatic conditions that are likely to become more common in the near future, may trigger degradation of large forest areas to a savanna-like vegetation. These land-use changes impact hydrological cycles at both the landscape and micro-catchment scales. The shift to low-biomass vegetation decreases rainfall interception and evapotranspiration by plants, increasing river flow and the probability of flooding. These land-use changes may also decrease soil infiltration capacity, further increasing river flow in the wet season, while decreasing the recharge of groundwater reserves that sustain river flows during the dry season. Such disruptions to the hydrological, carbon and energy cycles alter local and regional climates, with cascading effects that threaten regional biodiversity. These effects persist for decades and interact with global climate change, yet the trajectories of terrestrial and aquatic environments in the Amazon agricultural frontier remain poorly understood, as do their cascading impacts on biodiversity and associated ecosystem functions and services. This round table comprises three talks addressing the impacts of land-use changes in southern Amazonia on terrestrial and aquatic ecosystems, including climate-deforestation interactions and cascading effects on associated biodiversity and ecosystem functions.

Coordenador: Dra. Raquel G. Loreto

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Dr. Farley William Souza Silva (Universidade Federal de Viçosa) – Prophylaxis in a continuum between solitarious and gregarious organisms
  2. Dr. Sheena Cotter (University of Lincoln) – Social immunity in the nuclear family
  3. Dr. Raquel Loreto (Pennsylvania State University) – Fungal diseases in ants’ societies: life goes on
  4. Dr. Sam Elliot (Universidade Federal de Viçosa) – Dealing with disease at different levels of social organization

All organisms are faced with disease as a selective force, and a key theme in many areas of biology is how they have adapted to this threat. Meanwhile, a major theme in animal ecology is how different levels of social organization, encompassing solitary living, living in families, living in groups, and, ultimately, living in eusocial colonies, affect adaptations of these animals. Here we consider this from the perspective of insects, that display diverse levels of social organization, and that are faced with disease as a constant threat. We ask how the strategies that insects use to cope with this threat vary with their degree of sociality. We have invited prominent researchers who have worked on this question across a range of levels of organization. Thus, while the first speaker (Ken Wilson) will offer a talk on how individuals respond to the threat of disease, he has produced seminal work on how group living can affect investment in defense (Wilson & Reeson 1998). The second speaker, Sheena Cotter, has worked on group-living insects but is now focused on defenses at the level of the family. The third speaker, Raquel Loreto, compares natural infections of generalist and specialized pathogens in ant societies, raising the question of whether these eusocial insects should bother investing in defending against pathogens at all. The final speaker, Sam Elliot, has worked at a number of levels of organization and will offer a talk that synthesizes some relevant concepts and raises new questions.

Coordenador: Dr. Ulysses Paulino de Albuquerque

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Dr. Ernani Machado de Freitas Lins Neto (Universidade Federal do Vale do São Francisco) – Pessoas alterando a paisagem: os seres humanos como os últimos construtores de nicho
  2. Dr. Felipe Melo (Universidade Federal de Pernambuco) – Socioecologia do uso de recursos naturais e perturbação antrópica
  3. Dr. Ulysses Paulino de Albuquerque (Universidade Federal de Pernambuco) – Distúrbios crônicos antropogênicos: para mais além do conceito

Os seres humanos geram uma forte pressão sobre outras formas de vida no planeta em uma escala surpreendente, influenciando diferentes processos ecológicos e evolutivos. O grande desafio é entender os mecanismos do comportamento humano envolvidos em sua interação com o ambiente e as demais espécies. Muitos dos processos e padrões estudados em ecologia são influenciados por atividades humanas em diferentes escalas espaciais e temporais. Portanto, tentar predizer o futuro dos ecossistemas ignorando tais atividades não é realístico e tampouco útil. As apresentações nesta mesa-redonda abordarão diferentes dimensões e implicações das relações entre seres humanos e processos ecológicos, discutindo avanços ou desafios teóricos exemplificados com estudos desenvolvidos nas regiões tropicais. Na primeira parte, as apresentações focarão os efeitos do uso dos recursos naturais na dinâmica dos ecossistemas naturais e as consequências para a conservação da biodiversidade. Na segunda parte, será abordado os efeitos do uso dos recursos sobre a evolução de espécies de plantas que são alvo da atenção humana, debatendo questões relacionadas as pessoas como agentes modificadores da paisagem e as repercussões socioecológicas de tal intervenção no ambiente.

Coordenadora: Evanilde Benedito – Ecologia isotópica em águas interiores. Universidade Estadual de Maringá

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Dra. Evanilde Benedito (Universidade Estadual de Maringá) – Ecologia isotópica em águas interiores
  2. Dr. Rodrigo Ferreira Bastos (Universidade Federal de Pernambuco) – Desafios metodológicos: discriminação e taxa de renovaçāo isotópicas

Para uma melhor compreensão das relações tróficas e fluxo de energia em redes ecossistêmicas, bem como os impactos antrópicos nestas estruturas e processos, tem sido empregada análises de isótopos estáveis desde a década de 80 no Brasil. Os resultados destes estudos têm fornecido valiosas informações sobre a ecologia e o funcionamento de ecossistemas brasileiros e, especialmente ao longo da última década, vários pesquisadores têm empreendido esforços em expandir a aplicação do método aos mais diferentes organismos. Nestes contexto, esta mesa redonda objetiva sumarizar o conhecimento atual sobre a ecologia isotópica desenvolvida em território brasileiro destacando seu progresso e focando as discussões, com conceituados pesquisadores da área, em três fronteiras emergentes: 1. ecologia isotópica em águas interiores e ambiente marinho; 2. identificação das questões mais desafiadoras para os estudos na região neotropical; e 3. perspectivas mais atuais sobre o uso da técnica para os diferentes organismos desenvolvidas em centros internacionais de ecologia isotópica. Pretende-se, coletivamente, traçar com base nessas três fronteiras emergentes protocolos para amostragem, emprego e intepretação dos resultados obtidos. Considerando os intensos distúrbios antropogênicos sobre os ecossistemas brasileiros, também serão tratados o uso desta ferramenta na identificação de impactos sobre a biodiversidade, tais como a introdução de espécies exóticas, e sobre o funcionamento dos ecossistemas, tais como alterações nos fluxos de matéria causados pela poluição, alteração e destruição de habitats naturais. As atividades desta mesa redonda serão divididas em duas partes: apresentação das fronteiras emergenes, seguida de ampla discussão e participação dos pesquisadores e estudantes interessados.

Coordenador: Dr. Marcos da Cunha Teixeira

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Dr. Carlos Frederico Bernardo Loureiro (Universidade Federal do Rio de Janeiro) –Histórico e tendências em educação ambiental
  2. Dr. Marcos da Cunha Teixeira (Universidade Federal do Espírito Santo) – A relação homem-natureza após 25 anos de criação do Parque Estadual de Itaúnas-ES
  3. MSc. Marcus Machado Gomes (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) – A educação ambiental como política pública em unidades de conservação
  4. Dra. Dalana Campos Muscardi (Universidade Federal do Espírito Santo) – A educação ambiental em projetos de pesquisa sobre a biodiversidade

As pressões sobre a biodiversidade tiveram aumento significativo após a segunda guerra mundial devido ao desenvolvimento da indústria e ao crescimento populacional. Tais fatores impulsionaram diversos estudos científicos acerca da dinâmica dos ecossistemas cujos conhecimentos serviram de base para o surgimento dos movimentos sociais de proteção da natureza e de cobranças por uma melhor qualidade de vida. Em resposta ao movimento ambientalista crescente, em 1972 a UNESCO realizou a 1a Conferência Internacional sobre Meio Ambiente, em Estocolmo, Suécia. Uma das conclusões dessa conferência foi a importância da educação ambiental no processo de socialização dos conhecimentos ecológicos, como uma forma de minimizar os impactos negativos sobre a biodiversidade e o meio ambiente como um todo. No Brasil, a importância e a obrigatoriedade da educação ambiental estão explícitas em diversos documentos legais como a Convenção da Biodiversidade (1992) e a Política Nacional de Educação Ambiental (1999). No entanto, ainda estamos distantes de um consenso quanto aos conceitos e às práticas em educação ambiental, representadas atualmente por diversas tendências pedagógicas. Uma crítica feita por diversos estudiosos é que a educação ambiental não pode se resumir à simples divulgação ou popularização dos conhecimentos ecológicos, pois trata-se também de um problema social. Embora essa ideia venha ganhando espaço nos discursos de pesquisadores, professores do ensino básico e ambientalistas, sua operacionalização ainda representa um desafio. Além disso, esse debate não tem alcançado os grupos que produzem conhecimentos sobre a biodiversidade brasileira. Diante do exposto, o objetivo da mesa redonda aqui proposta é debater qual deve ser o papel e o alcance dos conhecimentos científicos em Ecologia nas práticas de educação ambiental. Além das questões direcionadas pelo público, para fomentar esse debate serão colocadas na mesa, entre outras, as seguintes questões: Quais as tendências em educação ambiental e suas reais contribuições para a conservação da biodiversidade?; Como superar a mera popularização da ciência sobre a biodiversidade nas políticas públicas de educação ambiental em unidades de conservação?; Qual o papel social dos pesquisadores diante de suas descobertas sobre a biodiversidade?; Como utilizar os conhecimentos científicos sobre a biodiversidade para produzir transformações no cotidiano?. Para tanto, serão apresentados os aspectos teóricos que tem fundamentado as diversas práticas de educação ambiental, seguida de uma visão geral sobre as formas como a educação ambiental tem sido praticada no âmbito das Unidades de Conservação e de projetos e pesquisas acadêmicas sobre a biodiversidade.

Coordenador: Dr. Sérvio Pontes Ribeiro

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Sérvio Pontes Ribeiro (UFOP) –  O conceito de ecótono florestal: os limites arbóreos do dossel às transições com outras vegetações; florestas com ambientes aquáticos; diferenças faunísticas entre  ecótonos e bordas para florestas.
  2. Dra. Luciana Pena Melo Brandão (UFMG) – Interação florestas-lagos do médio Rio Doce
  3. Dr. Frederico Neves (UFMG) – A importância dos mosaicos de ecossistemas altimonatanos para a conservação da biodiversidade

Os impactos de mudanças globais sobre as dinâmicas de ecossistemas tropicais geraram diversos estudos sobre os limites artificiais destas com os novos ecossistemas antropomórficos, como plantações, cidades e outros territórios sob severa modificação humana. Em contrapartida, os ecótonos naturais entre habitats florestais e ambientes fragmentados formando arquipélagos naturais encontrados na paisagem ficaram negligenciados. No entanto, tais sistemas são de grande importância para processos ecossistêmicos. Diversos estudos em campos rupestres deixam claro que a transição entre matas de galeria e campos rupestres têm uma importância particular na manutenção da diversidade biológica deste ecossistema, bem como na evolução de processos como radiação vicariante de espécies. Por outro lado, a transição entre florestas e ambientes aquáticos é uma das menos compreendidas, a despeito de todo debate nacional sobre o papel da APPs florestais entorno de corpos d´água e sua recente redução pelo novo Código Florestal. Recentemente, o derramamento de resíduos de mineração em quantidades catastróficas sobre o leito do rio Doce reacende a urgência de se estudar este ecótono floresta-rio, assim como queimadas frequentes ocorrendo em áreas de nascentes. Nesta mesa redonda vamos discutir aspectos teóricos relacionados à habitats ecotonais e ilhas naturais de florestas e suas implicações conservacionistas. A palestra de abertura apresentará os conceitos e estado da arte desta área do conhecimento hoje, seguida de exemplos floresta-água, do ponto de vista da floresta. A segunda palestra discutirá os efeitos da vegetação florestal sobre a ecologia de lagos. Finalmente, serão apresentados dados sobre os ecótonos entre as matas e os campos rupestres e as áreas de insulareas de florestas dos mosaicos altimontanos da Cadeia do Espinhaço.

Coordenadora: Dra. Simone R. Freitas

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Dr. Alexandre Gabriel Franchin (Universiade Federal de Uberlândia) – Exploração de recursos por aves e seus efeitos em cidades brasileiras
  2. Dr. Rafael Juliano (Universiade Estadual de Goiás) – Efeitos da urbanização na comunicação sonora das aves
  3. Dra. Simone R. Freitas (Universidade Federal do ABC) – Propostas de manejo de áreas verdes sob a perspectiva da Ecologia de Paisagens

O processo de urbanização acarreta modificações de habitats intensas e duradouras que podem restringir a ocorrência de diversas espécies de animais nativas e favorecer a ocorrência de espécies exóticas. Contudo, alguns grupos taxonômicos podem apresentar maior tolerância aos efeitos da urbanização, o que permite sua sobrevivência e reprodução nas cidades. Em comunidades de aves pode ocorrer homogeneização, ou seja, redução da riqueza de espécies. Além disso, a comunicação sonora das aves pode ser prejudicada pelos muitos ruídos provocados pelas atividades humanas nas cidades. Algumas espécies podem modificar características de seus cantos para conseguirem minimizar essas barreiras acústicas. As espécies de aves nativas que resistem à urbanização ocorrem principalmente em áreas verdes urbanas ou áreas menos antropizadas. Apesar de negligenciadas por pesquisadores, as áreas verdes das cidades são potenciais laboratórios para estudar estratégias de exploração desse ambiente por aves em relação à dieta, uso de habitat e reprodução. A perda de diversidade de espécies nas cidades pode ser mitigada com o aumento das áreas verdes e de sua conectividade. Sob a perspectiva da Ecologia de Paisagens, as áreas verdes das cidades podem ser consideradas como trampolins ecológicos (“stepping stones”) e as ruas arborizadas como corredores ecológicos. Se os trampolins ou os corredores funcionam efetivamente como elementos de conexão na paisagem e para quais espécies, são questões em aberto que merecem estudos no Brasil. Espécies herbáceas e arbóreas com flores e frutos podem ser usadas para atrair espécies polinizadoras e frugívoras, levando ao aumento de diversidade nas cidades. O manejo da fauna em áreas urbanas visa a restauração de áreas degradadas, podendo ajudar na conservação da biodiversidade em uma escala mais ampla, já que as áreas verdes restauradas mais próximas de fragmentos maiores de vegetação nativa, se bem conectados, podem ser usadas como trampolins ecológicos para espécies com alta capacidade de deslocamento e com menos restrições de habitat, incluindo espécies migratórias. Outras funções das áreas verdes relacionadas à qualidade de vida da população humana serão aprimoradas com essas ações de manejo de fauna e flora, contribuindo, inclusive, para a educação ambiental nessas áreas de lazer em áreas urbanas.

Coordenador: Dr. Carlos Frankl Sperber

Palestrantes e títulos:

  1. Professor Michael Begon (University of Liverpool): A role for textbooks in the teaching of ecology
  2. Dr. Carlos F. Sperber (Universidade Federal de Viçosa): Múltiplas pedagogias para o ensino de ecologia básica
  3. Dra. Thaís Fernandez (Universidade Federal de Viçosa): Reflexões sobre a inserção do ser humano social e historicamente situado no ensino de Ecologia
  4. Dr. Ricardo Ribeiro de Castro Solar (Universidade Federal de Minas Gerais): Ensino de Ecologia para o público na era da internet

Recent research has changed our understanding of how people learn. These findings are based on well-established learning theories that can potentially help faculty teach more effectively. Unfortunately, most science faculty, including ecologists, have little or no exposure to research on learning or its application to teaching. In Brazil, we have to face the challenge of effective learning in courses of up to 600 students per semester, with heterogeneous educational and social background. This heterogeneity has been enhanced by the recent Brazilian politics of social inclusion into higher education. In addition, there is heterogeneity in the student’s study areas, leading to diverse urges. There has been a plethora of pedagogical experiments with ecology education, aiming to enhance effective learning. Here we aim to discuss ways to evaluate how to measure the effectiveness of alternative pedagogical strategies in high school ecology teaching and ecological thinking.

Coordenadora: Dra. Renata Pacheco

Palestrantes potenciais e títulos provisórios:

  1. Dra. Renata Pacheco (Universidade Federal de Uberlândia) – Mudanças na diversidade de formigas em sistemas manejados e o efeito na função predatória.
  2. Msc. Ananza Rabello (Universidade Fedral de Lavras) – Remoção de sementes por formigas: o tipo de mudança de uso da terra é importante?
  3. Msc. Raquel Carvalho (Universidade Federal de Uberlância) – Besouros rola-bosta: funções ecológicas e importância em sistemas manejados.

As maiores ameaças à diversidade biológica são a fragmentação e a perda de hábitats, decorrentes de mudanças no uso do solo, como as atividades agrícolas. Em ambientes modificados as espécies são afetadas através do tipo e quantidade de recursos disponíveis, das interações com outras espécies e do manejo das áreas de cultivo. Espécies que apresentam hábitos especializados de forrageamento e nidificação, por exemplo, são dependentes de recursos estruturais que são eliminados ou diminuídos em agrossistemas. Ainda, a rapidez com que as mudanças ambientais ocorrem não permite a adaptação das espécies ao ambiente modificado, ocasionando na perda inclusive daquelas espécies que desempenham importantes funções ecológicas. Em contrapartida, ambientes como os agrossistemas, podem ser mais favoráveis a dominância de espécies generalistas, que competem por recursos com outras espécies, ocasionando na homogeneização da fauna. Com isso, devido à importância de se aliar desenvolvimento econômico e conservação, são necessários estudos que mostrem o efeito da conversão de áreas naturais em diferentes usos do solo. Nesse sentido, estudos que avaliem a perda de espécies, mudanças nas funções ecológicas e a capacidade das espécies se manterem nesses ambientes são importantes. Nossa proposta para esta mesa-redonda é apresentar dados que mostrem o efeito da conversão de áreas naturais em agrossistemas na diversidade de dois grupos de insetos considerados importantes indicadores ecológicos, formigas e besouros rola-bosta. Esses insetos têm importantes funções nos ecossistemas, podendo atuar na ciclagem de nutrientes, na dispersão de sementes, ou ainda regulando as populações de outros animais. Assim, as apresentações também irão focar nos efeitos das mudanças ambientas nas funções ecológicas desempenhadas por esses insetos. Os sistemas abordados nos estudos serão áreas naturais no Cerrado e Amazônia e em diferentes sistemas de uso do solo. As atividades agro-pastoris são crescentes nos biomas Cerrado e Amazônia nas últimas décadas e são consideradas uma das principais ameaças à biodiversidade. As áreas remanescentes com vegetação natural encontram-se protegidas em unidades de conservação e em reservas legais dentro de propriedades particulares. Nesse sentido, conhecer o efeito dos sistemas agro-pastoris na diversidade e na função de importantes grupos indicadores é importante para embasar propostas de conservação.

Coordenador: Dr. Marcos Vinícius Carneiro Vital

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Marcos V. C. Vital (Universidade Federal de Alagoas) – Open Science, análises estatísticas e reprodutibilidade científica
  2. Richard James Ladle (Universidade Federal de Alagoas) – Open Data, ferramentas Open Source, Cienciometria e Culturômica
  3. Gracielle Teixeira Higino (Universidade Federal de Goiás) – Divulgação Científica: para que perder tempo com isso?

Open Science é uma ampla abordagem da forma como o conhecimento científico é produzido e divulgado, e envolve as várias etapas de investigação acadêmica, como coleta, análise e interpretação dos dados, além da publicação e divulgação do conhecimento gerado. Como um todo, esta abordagem propõe maior abertura, transparência e acessibilidade em cada uma destas etapas, e incluí práticas como uso e publicação de dados abertos, produção de scripts reproduzíveis para análise de dados, submissão de manuscritos para revistas de acesso livre e divulgação científica do conhecimento gerado para públicos mais amplos. Dentro da área de Ecologia, algumas destas práticas tem se tornado comuns, como a manutenção de plataformas de dados abertos sobre biodiversidade (como GBIF e SiBBr) e o uso da linguagem R para geração de scripts de análise reproduzíveis (usualmente publicados como material suplementar em artigos). Nesta mesa redonda, pretendemos divulgar e discutir os principais conceitos e ferramentas relacionados à prática de Open Science. Especificamente, pretendemos abordar com maior profundidade: experiências práticas de trabalho com dados abertos e ferramentas open source na produção de artigos científicos, exploração de dados cienciométricos e culturômicos; o uso do RMarkdown para produção de scripts e open notebooks de análise reproduzíveis dentro do fluxo de investigação científica; a prática da divulgação científica para públicos mais amplos e suas consequências na carreira acadêmica de pesquisadores.

Coordenador: Dr. Tommy Flávio Cardoso Wanick Loureiro de Sousa

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Dr. Tommy Flávio Cardoso Wanick Loureiro de Sousa (UFV) – Núcleo de Educação do Campo e Agroecologia
  2. Dr. Felipe Nogueira Belo Simas (UFV) – Agroecologia como matriz pedagógica para o ensino de Ciências da Natureza
  3. Dra. Fernanda Maria Coutinho de Andrade (UFV) – A Licenciatura em Educação do Campo e a Pedagogia da Alternância na UFV

Descrição: O movimento agroecológico da Zona Mata mineira, iniciou-se, ainda como agricultura alternativa, no final da década de 70 a partir das críticas à Revolução Verde. Parcerias entre professores da UFV, estudantes, agricultores familiares, o centro de tecnologias alternativas da Zona da Mata (CTA), sindicatos de trabalhadores rurais, trabalhadores sem terra, a associação mineira de escolas família agrícola, entre outros movimentos sociais atuantes na região vem construindo o fortalecimento da Agroecologia na Zona da Mata mineira de forma colaborativa, e horizontal, unindo saberes e demandas acadêmicas e populares (Cardoso e Ferrari, 2006). Dois importantes frutos dessas demandas são a criação, em 2014 do curso de Licenciatura em Educação do Campo com Habilitação em Ciências da Natureza e Agroecologia (Licena) e, em 2016 do Núcleo de Educação do Campo e Agroecologia (ECOA). Tendo a agroecologia como tema central, LICENA e ECOA, buscam um projeto de desenvolvimento do campo que se contrapõe ao modelo de desenvolvimento hegemônico, a partir da construção de processos educativos colaborativos, com metodologias ativas de ensino aprendizagem, que buscam o desenvolvimento social, econômico, ambiental e cultural do campo, alternando entre ações nos territórios acadêmicos e camponeses vem sendo construído um projeto de educação que visa a sustentabilidade das relações entre campo e cidade.

Coordenador: Prímula Viana Campos

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Jaquelina Alves Nunes (Universidade Estadual de Minas Gerais) – Diversidade e Estrutura da Vegetação de Campos de Altitude no Parque Nacional do Caparaó, MG/ES, Brasil
  2. Anaïs de Almeida Campos Cordeiro (Universidade Federal de Viçosa) – Influência da Altitude sobre a Composição Florística e Diversidade de Plantas da Serra do Saparaó, Sudeste Brasileiro
  3. Prímula Viana Campos (Universidade Federal de Viçosa) – Influência da Altitude e Variáveis Edáficas sobre a Vegetação
    de Campos de Altitude no Parque Estadual Serra do Brigadeiro, MG, Brasil

Ecossistemas de montanha suportam cerca de um quarto de toda diversidade biológica global. No leste da América do sul, os campos de altitude representam o único sistema de montanhas com uma alta diversidade biológica e elevado número de espécies endêmicas, decorrente do amplo espectro topográfico dos afloramentos rochosos e isolamento geográfico da vegetação. Ambientes rupestres exibem elevado grau de estresse para comunidades vegetais. Além das características climáticas (i.e. alta radiação solar, ventos constantes e variações bruscas na temperatura), os recursos edáficos são severamente limitados. Muitas espécies apresentam estratégias adaptativas, que as auxiliam sobreviver às condições ambientais adversas, principalmente onde os solos são desfavoráveis ao seu desenvolvimento. Ainda são incipientes os estudos quantitativos e qualitativos sobre a diversidade e estrutura da vegetação, bem como os que relacionam fatores edáficos e vegetacionais dos sistemas rochosos na região tropical, particularmente no território brasileiro. Dos poucos estudos sobre ambientes rupestres altomontanos a maioria trata da ecologia dos afloramentos sobre quartzitos e ferruginosos, sendo os sobre sienito e granito-gnáisse ainda pouco explorados, principalmente nas maiores altitudes da porção leste do território. Além disso, afloramentos rochosos, quando comparados a outros tipos de vegetação, são os ambientes mais propensos à extinção, suas características singulares são relevantes para a compreenssão dos mecanismos que podem conduzir a este evento. No Brasil, a maior parte desse ecossistema está abrigado em Unidades de Conservação, porém são poucas as ações conservacionistas, visto que sofrem constantemente com a pressão do turismo e queimadas. A mesa redonda incluirá três apresentações sobre a diversidade, estrutura e influência da altitude e características químicas e físicas do solo sobre esses parâmetros vegetacionais, em áreas de afloramentos rochosos nos campos de altitude do leste brasileiro. Propõe-se responder as seguintes questões: (i) existe diferença na composição florística, estrutura e riqueza entre as áreas? (ii) as variáveis edáficas diferem entre as áreas? (iii) a abundância, cobertura e riqueza estão relacionadas com a altitude e propriedades do solo? As apresentações destacarão estudos realizados em seis áreas de campos de altitude, três localizadas no Parque Nacional do Caparaó e três no Parque Estadual Serra do Brigadeiro.

Coordinator: Daniel Albeny-Simões

Speakers

  1. Dr. Nildimar Honório (Fundação Osvaldo Cruz) – Interspecific mating between two invasive species mosquitoes, Ae. aegypti and Ae. albopictus (Diptera: Culicidae), in Brazil and Florida.
  2. Dr. Steven A. Juliano (Illinoi State University) – Why are the most dangerous vectors the ones that become invasive? The behavioral connection
  3. Dr. Daniel Albeny Simões (Unochapeco) – Mosquito trophic interactions in aquatic microcosms

Understanding the behavior of mosquito vectors of disease is crucial for elaboration of control strategies. Vector-borne diseases cannot be eliminated purely through interventions targeted at humans, such as vaccination or the use of repellents, and the outcome of molecular/genetic approaches targeting mosquitoes are likely strongly influenced by ecological and environmental factors. In order to design and implement more efficient vector control programs, we must strive to better understand the general biology and ecology of vectors, particularly with respect to the role of mosquito behavior in structuring populations. Vector control is based on applied population dynamics and hence, is an aspect of applied ecology. To become a competent adult vector, the mosquito larval habitat must be favorable for production of adult traits that facilitate adult vector behavior and physiological transmission capability. Characteristics of the aquatic larval environment, primarily resource availability and the roles of predation and competition, determine the quality of resulting adults and affect survival, longevity, and reproduction. Because mosquito larvae cannot disperse among sites, the environment in which they develop and resulting ecological interactions are a direct result of maternal oviposition choice. Behavioral traits of adults are also critical for their prominent role in disease transmission. What we propose with this round table is a discussion of how oviposition choice and biotic factors in the larval environment affect resulting adult mosquito behavior, vector competence, and population size, and how behavior of adults influences disease transmission. Ultimately we are interested in how these behavioral traits impact attempts to control mosquito populations.

Coordenador: Dr. Paulo Enrique Cardoso Peixoto

Palestrantes potenciais e títulos tentativos

  1. Dr. Gustavo Requena (Universidade de São Paulo) – Seleção sexual e cuidado paternal
  2. Dra. Lilian Manica (Uiversidade Federal do Paraná) – Seleção sexual em aves e a evolução de caracteres elaborados
  3. Dr. Paulo Enrique C. Peixoto (Universidade Federal de Minas Gerais) – Ser ou não ser seletiva: fêmeas de libélula possuem restrição espacial para selecionar seus parceiros reprodutivos?

Apesar da seleção natural ser recorrentemente citada como a principal força seletiva do processo de evolução, existe uma ampla gama de adaptações nos organismos que evoluíram por meio de outra força conhecida como seleção sexual. Esse processo favorece adaptações fisiológicas, morfológicas ou comportamentais que aumentem as chances de encontro, de escolha de parceiros e de fertilização de gametas após a cópula, mesmo que isso reduza a sobrevivência do indivíduo. Adaptações comportamentais, em particular, são extremamente diversas, podendo compreender exibições para parceiros, disputas por territórios de acasalamento ou mesmo o cuidado à prole que pode ser atrativo para parceiros reprodutivos. Porém, apesar da lógica da evolução por meio da seleção sexual ser relativamente bem conhecida, pouco se sabe sobre como ela atua de fato nos organismos. Questões envolvendo 1) quais pistas são usadas para escolher parceiros, 2) o quão confiáveis são essas pistas, 3) o quanto ambiente restringe a força com que a seleção atua sobre os organismos ou 4) meios de estimar a forma e a intensidade de seleção sexual em tempo ecológico têm sido foco de pesquisa em ecologia comportamental. Nesta mesa redonda, nossa intenção é mostrar alguns dos avanços mais recentes nessa área. Em particular, propomos discutir como medidas de seleção sexual em tempo ecológico têm melhorado nossa compreensão sobre a evolução do comportamento reprodutivo tanto em espécies de vertebrados, quanto de invertebrados.

Coordenadores: Dra. Tatiana Cornelissen (Coordenadora Mesa 1: antagonismos) e Dr. Ricardo I. Campos (Coordenador Mesa 2: mutualismos)

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

Mesa 15 (Interações entre insetos e plantas: Antagonismos)

  1. Dra. Tatiana Cornelissen (UFSJ) – “Insetos e plantas: cinqüenta anos de história e encanto em números”.
  1. Dr. Pablo Cuevas-Reyes (UMSNH – México) – “Aspectos ecológicos, químicos e genéticos de interações antagônicas: estudos empíricos no México e no Brasil” .
  1. Dr. Sérvio P. Ribeiro (UFOP) – Distúrbios interativos e desarmonia taxonômica: transformamos continentes em ilhas e antagonismos em pragas? Comparando galhas, mastigação e vetores de arboviroses.

 

Mesa 16 (Interações entre Insetos e plantas: Mutualismos)

  1. Dra. Fernanda Vieira da Costa (UFOP) – “O fogo e seus impactos nas interações envolvendo insetos em montanhas tropicais”
  1. Dr. Ricardo I. Campos (UFV) –“Interação AztecaCecropia: os benefícios são mesmos mútuos?”
  1. Dr. Ricardo Solar (UFMG) – “Qual o papel do distúrbio nas interações entre formigas e sementes?”

Insetos e plantas estão entre os organismos mais diversos do planeta e o entendimento das interações entre esses dois grupos – tanto positivas quanto negativas – além dos serviços ecossistêmicos que eles fornecem é um dos grandes desafios atuais da ecologia teórica e aplicada. Considerando a atual crise da biodiversidade, o entendimento sobre os processos e mecanismos que determinam essas interações ecológicas pode auxiliar na elucidação dos aspectos funcionais das interações, tanto em ambientes naturais quanto modificados. Por exemplo, características de plantas hospedeiras tais como a distribuição geográfica e abundância, o tamanho e a complexidade estrutural, a qualidade nutricional, fenologia e a química secundária influenciam a ocorrência e abundância de insetos. Ainda, mudanças globais resultantes de atividades e perturbações de origem antropogênica como alterações no uso da terra e no clima, além da fragmentação e redução de habitats naturais têm o potencial de afetar as interações ecológicas, levando a mudanças populacionais e nas comunidades que podem resultar na perda de funções ecológicas e de processos ecossistêmicos. A presente proposta de mesa redonda em “Interações Inseto-Planta” objetiva fornecer um panorama geral de interações negativas (mesa 1) e positivas (mesa 2) envolvendo esses dois grupos e contrastar ambientes naturais e modificados. A mesa visa ainda apresentar à comunidade científica uma revisão quantitativa dessas interações através de ferramentas de síntese em ecologia, como a ciênciometria e meta-análises. O foco, portanto, será nas interações ecológicas que permeiam diversos taxa, tipos de interações e diferentes habitats. O entendimento dos mecanismos que moldam a estrutura de comunidades ecológicas através de mutualismos e/ou antagonismos é uma das bases da ecologia teórica e muita informação tem sido acumulada para explicar a variação na distribuição e abundância de insetos através de variação nas interações entre estes e suas plantas hospedeiras. Essa proposta sugere duas mesas redondas sequenciais, cobrindo um continuum de interações negativas e positivas entre insetos e plantas, para uma melhor compreensão dos padrões atualmente encontrados em ambientes naturais e modificados, além de uma revisão da literatura científica dos últimos cinquenta anos.

  1. Dr. Andrew J. Kerkhoff (Kenyon College) – The latitudinal gradient of species richness
  2. Dr. Danilo M. Neves (University of Arizona) – Niche space saturation over evolutionary time

Land plant biodiversity is strongly correlated with climate. More importantly, plant diversity is organized climatically into biomes that are to some extent evolutionarily distinct, with physiognomies characterized by the functional traits of the dominant species. Functional differences among biomes are critically important to modeling the global carbon cycle and the functioning of the Earth system. Therefore, in order to anticipate ecosystem responses to climate change, we must understand how the functional diversity of land plants has evolved in response to past changes in climate. The association between vegetation physiognomy and climate dates to the pioneering insights of von Humboldt, but scientists have only begun to develop a predictive science of biodiversity to explain the diversity-climate relationship based on the underlying ecological and evolutionary processes of diversification, dispersal, adaptation and coexistence. A few studies have considered the assembly of continental-scale biomes in this light. Nonetheless, progress has been limited in part by informatics challenges associated with standardizing and integrating large disparate datasets to model the geographic distributions, functional traits and phylogenetic relationships of species. To address these issues, our research group has assembled the largest and most comprehensive botanical distribution database, detailing the geographical ranges, niche characteristics and evolutionary relationships of more than 100,000 New World plant species. More specifically, we are using novel informatics approaches to reconstruct the evolutionary history of plant ecology and biogeography, in order to discover whether the colonization of novel environments is limited by niche evolution, and whether less physiologically favorable environments actually impose hard ecological limits on the number of plant species they can support. This round table will encompass three presentations addressing two fundamental questions that are key to a synthetic theory of global biodiversity: (i) whether the colonization of novel biomes is systematically associated with functional niche evolution, and (ii) whether biomes differ in their intrinsic capacity to support biodiversity.

Coordenador: Dra. Irene Maria Cardoso

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Dra. Irene Maria Cardoso (Universidade Federal de Viçosa) – Agroecologia: ciência, movimento e pratica
  2. Dr. Willer Barbosa (Universidade Federal de Viçosa) – Metodologias ativas da geração de saberes agroecológicos
  3. MSc. Heitor Teixeira (Universidade de Wageningen – Holanda) – Agroecologia e serviços ecossistêmicos

Descrição: The round table will be based on the experience developed in Zona da Mata of Minas Gerais, Brazil. Since 1988, the Centre for Alternative Technologies of the Zona da Mata (CTA), an NGO (Non-Governmental Organization), and a group of professors and students of the Federal University of Viçosa have been working in partnership with family agriculture, following agro-ecological principles, in activities such as soil management and agro-forestry systems. During the 1980s, a strong movement of family farmers developed, which lead to the creation of unions and other organizations representing their interests. CTA emerged in this context, whose social basis consists of local family farmers unions within the region. The adoption of agro-ecological principles in Zona da Mata is connected with creative ways of dealing with land scarcity and land degradation. To deal with land degradation and to diversify production agroforestry coffee systems were experimented, using participatory methodologies. These systems were important for improving food for the family, for the domestic and wild animals and for increasing income. The trees also improve soil quality, increase carbon sequestration, increase water quantity and quality, attract pollinators and give shade to the workers. In agro-ecology as understood by the group in Zona da Mata, the scientific knowledge has to be constructed by all involved, including the farmer’s knowledge. The farmers are not only a source of knowledge but also an autonomous and creative agent of transformation. Nowadays, a project called “knowledge exchange” involving family farmers, scientists, students and technicians is being developed. However, for the transition of conventional to agroecological agriculture, appropriate public policies are needed, prioritizing investments in sustainable production. Therefore, the Brazilian agroecological policy will also be discussed.

Coordenador: Dr. Markus Gastauer

Palestrantes potentiais e títulos tentativos:

  1. Dra. Vanessa Pontara (Universiade Federal de Viçosa) – Diversidade filogenética e conservação biogeografica de vegetações rupestres
  2. Dr. João Meira Neto (Universidade Federal de Viçosa) – Facilitation by alien invasive species as a driver of community assembly in harsh environments
  3. Dr. Markus Gastauer (Instituto Tecnológico Vale) – Shifts from abiotic to biotic filters along chronosequences of mine land revegetation

Extant biodiversity has widely been recognized as the consequence of evolutionary history, while the coexistence of different species within communities is the result of the interaction among dispersal, biotic and abiotic filters. The dispersal filter includes short and long distance dispersal of propagules, while the abiotic filter selects for individuals possessing certain functional traits that increase their fitness in a given environment. Finally, the biotic filter represents species interactions such as competition, facilitation and predation. Community assembly examines the importance of these filters using different approaches in order to gain practical information for restoration of degraded ecosystems, conservation of biodiversity or the control of alien invasive species. Evolutionary ecology correlates evolutionary histories of coexisting species to investigate the importance of each of the three filters, allowing to link short-term local processes to continental and global ones occurring over deep evolutionary time scales, thus representing a huge potential to understand community assembly in detail. If functional traits or ecological niches are conserved within evolutionary lineages, phylogenetic community structure gives insights to the relative importance of biotic and abiotic filters. Phylogenetic clustering is commonly linked to the performance of abiotic filters, while phylogenetic overdispersion indicates biotic filters such as facilitation, competition or further density-dependent factors as the dominant factors of community assembly. The identification of the importance of biotic and abiotic filters in community assembly permits to outline the degree to which anthropogenic impacts act as environmental filters, selecting against certain evolutionary lineages. Close phylogenetic relationship between native and alien invasive species are expected to reduce ecosystem’s invisibility due to interspecific interactions between them, thus offering management strategies. Shifts in the relative importance of biotic and abiotic filters may be observed along restoration progress, resulting in switches from phylogenetic clustering towards overdispersion, with important consequences for the entire restoration process. Availability of comprehensive phylogenies of plants and further organisms bring together information about evolutionary history and genealogy relationships of species investigating questions about community assembly and diversity revealing information about the interface among evolutionary and contemporary ecological processes. During this round table, phylogenetic structure and its insights to community assembly in different plant communities will be discussed in front of actual challenges such as habitat fragmentation, biological invasions or mineland restoration. With this information, recommendations regarding biodiversity conservation in multiple used landscapes, management to combat alien invasive species in marginal ecosystems and more effective species mixtures for mineland restoration will be presented.

Coordenador: Dr. Carlos Ernesto Schaefer

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Dr. Jair Putzke (Universidade Federal do Pampa) – Avaliação do desenvolvimento de líquens e musgos na Antártica Marítima nos últimos 30 anos e sua relação com as mudanças climáticas globais.
  2. Dr. Antônio Batista Pereira (Universidade Federal do Pampa) – Evolução da pesquisa com as comunidades vegetais de áreas de degelo da Antártica: nos últimos trinta anos.
  3. Dr. Paulo Eduardo Câmara (Universidade Federal de Brasília) – Revisitando a Flora Antártica com uso de dados moleculares
  4. Dr. André Thomazini (Universidade Federal de Viçosa) – Variabilidade espacial e temporal da dinâmica de CO2 das principais comunidades vegetais da Antártica Marítima, e suas relações com as mudanças climáticas.
  5. Dr. Carlos Ernesto Schaefer (Universidade Federal de Viçosa) – Relações solo-vegetação na antártica: sistemas entrelaçados

A flora da Antártica Marítima é composta principalmente de briófitas e líquens, ocorrendo apenas duas espécies de angiospermas nativas e uma introduzida. Na Antártica Marítima, a temperatura média anual do ar é cerca de -2,5°C, com predomínio de fortes ventos e baixa radiação solar incidente. Desta forma, as vegetações que ocupam as áreas livres de gelo são adaptadas a rigorosas condições climáticas. Além disso, a disponibilidade hídrica, influência ornitogênica e características do substrato atuam fortemente sobre o crescimento vegetal. Fatores relacionados ao solo tais como salinidade, estabilidade da superfície, natureza do substrato e disponibilidade de nutrientes, também são fatores determinantes para a distribuição das comunidades vegetais nas áreas livres de gelo. Os locais ocupados por plantas são aproveitados por aves para a nidificação, favorecendo a entrada de fósforo e nitrogênio no sistema terrestre. Com isso, ocorre um aumento da atividade biológica mudando o microclima do solo devido a incorporação de grandes quantidades de matéria orgânica, o que muitas vezes promove uma seleção das espécies vegetais que vão permanecer naquele local. Ao avaliar a extensão da cobertura vegetal é importante analisar sua dinâmica de avanço ou recuo ao longo do tempo, bem como de quais fatores estão associados a essa dinâmica. Trabalhos recentes mostram um grande potencial de sequestro de carbono atmosférico com o aumento das áreas livres de gelo, devido ao surgimento de extensos campos hidromórficos colonizados principalmente por musgos. Portanto, a vegetação se torna um importante indicador das recorrentes mudanças no clima global. A compreensão dos fatores que afetam a distribuição da vegetação nas áreas livres de gelo podem auxiliar os estudos futuros sobre as mudanças climáticas e suas consequências no ambiente terrestre.

Coordenador: Dra. Ana Carolina Carnaval

Palestrantes:

  1. Profa. Dra. Ana Carolina Carnaval (City College of New York – USA) -Inferring ecological parameters from SNP data in Brazilian anoles: phylo-fantasy or educated guesses?
  2. Prof. Dr. Nelson Rosa Fagundes (Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Brazil) – Neotropical species diversity and biological radiations: Allopatry strikes back
  3. Prof. Dr. Eduardo Eizirik (PUC-RS – Brazil) – Evolutionary and ecological analyses of Neotropical carnivores based on genome-wide data sets
Coordenador: Dr. Rômulo Ribon

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Dr. Luciano Martins Verdade (Universidade de São Paulo) – Confidencialidade e sigilo profissional em estudos sobre caça
  2. Msc. Rogério Fonseca (Universidade Federal do Amazonas) – Bases legais, científicas e normativas da caça de subsistência no Brasil
  3. Dr. Rômulo Ribon (Universidade Federal de Viçosa) – Caça esportiva e de controle de pragas no Brasil: bases científicas e desafios

O manejo de populações animais para uso econômico ou recreativo, como fonte alimentar e também de controle de pragas agrícolas é praticado em todo o mundo. No Brasil, ele ocorre sobretudo de forma clandestina mas, especialmente para aves e mamíferos, é um tabu no meio acadêmico, agências de governo e em parte da sociedade civil. A inexistência de confidencialidade e sigilo profissional em estudos sobre caça e a insipiente formação dos profissionais brasileiros sobre manejo de fauna silvestre, sobretudo em biologia, resultam no amplo desconhecimento sobre sua complexidade e dificultam sua gestão. A visão sobre a gestão da fauna no Brasil é predominantemente preservacionista, carecendo de uma abordagem interdisciplinar que inclua as várias dimensões humanas ligadas ao tema. Por outro lado, a caça controlada é parte fundamental do manejo de fauna, como parte do uso sustentável da biodiversidade, assim como a pesca e a extração de plantas nativas e seus produtos. Nesse contexto ela é praticada em todo o mundo com impactos positivos na preservação e conservação de espécies e ecossistemas. O aprimoramento da formação de biólogos e outros profissionais na área de manejo de fauna, incluindo a caça, exigiria uma consistente formação multidisciplinar, mas com forte base em ecologia, bioestatística e antropologia, permitindo a criação de empregos para profissionais de várias áreas ligadas à conservação e ao uso dos recursos naturais. A mesa redonda aqui proposta visa discutir a caça no Brasil, à luz do manejo de fauna feito em outros países e dos avanços e problemas enfrentados no Brasil para sua prática enquanto forma de aplicação direta do conhecimento gerado por diversas áreas da ecologia e áreas transversais como agronomia, antropologia, economia, sociologia, medicina veterinária e zootecnia. A mesa será composta por três palestras cobrindo diferentes aspectos da caça no Brasil, seguida por discussão, especialmente ao considerar o Projeto de Lei 6268/16 que visa regulamentar a caça no país.

Coordenador: Dr. Paulo Fellipe Cristaldo

Palestrantes potenciais e Títulos tentativos

  1. Dr. Paulo Fellipe Cristaldo (Universidade Federal de Sergipe) – Ecologia química como ferramenta para entendimento dos mecanismos ecológicos.
  2. Leticia Ribeiro de Paiva (Universidade Federal de São João del Rey – Campus Alto Paraopeba) – Física do Forrageamento.
  3. Dr. Vinícius de Barros Rodrigues (Universidade Federal de Viçosa) – Simulando a coexistência de cupins: sexo, segurança, casa e recurso em ‘jogo’.

O desenvolvimento da Ecologia como Ciência vai muito além da simples descrição de sistemas: o completo entendimento dos processos ecológicos requer análises dos mecanismos envolvidos. Esta tarefa exige, muitas vezes, uma aproximação da Ecologia com outras áreas de pesquisa. A forma como os organismos exploram o habitat pode repercutir em diferentes escalas ecológicas, incluindo desde mudanças nos padrões populacionais até efeitos no funcionamento dos ecossistemas. Cupins exercem um papel primordial no funcionamento dos ecossistemas e na manutenção da riqueza de espécies nas regiões tropicais. Este efeito depende fundamentalmente do uso do habitat por estes organismos durante suas atividades de forrageio e nidificação, as quais incluem mudanças físicas e químicas no solo e na paisagem. A extensão na qual os cupins exploram as áreas no entorno de seus ninhos é regulada pelo balanço entre custos e benefícios locais. A disponibilidade de recursos, por exemplo, pode regular as áreas de uso dos cupins e interferir na sobreposição espacial interespecífica; assim como na percepção e aceitação intercolonial. Os mecanismos envolvidos neste processo são mediados por pistas químicas liberadas pelos indivíduos da colônia. A percepção e a aceitação destas pistas químicas também é modulada pela disponibilidade de recursos e interfere na detecção e exploração de sinais entre colônias vizinhas. Em alguns casos, a detecção de sinal heteroespecífico ocorre unilateralmente o que torna a outra espécie imperceptível quimicamente. Desta forma, estes comportamentos podem ser parte de estratégias que permitem a coexistência de espécies tanto localmente (ex. em torno do ninho) ou até mesmo o compartilhamento de um mesmo ninho por diferentes espécies de cupins. Esses padrões complexos, dependem, em última análise, de interações comportamentais simples mediadas entre os indivíduos, as quais abrangem desde a exploração da área pelos operários, os comportamentos entre operários de diferentes colônias e também a estrutura física da colônia. Assim, estes processos envolvem interações interindividuais que podem resultar em fenômenos emergentes, os quais podem ser melhor entendidos por meio de análises computacionais ao invés de clássicos métodos de análises biológicas. Nesta proposta, utilizamos cupins como modelos para mostrar como estudos Ecológicos interdisciplinares podem auxiliar no entendimento dos processos ecológicos em diferentes escalas, incluindo: funcionamento dos ecossistemas, dinâmicas de uso do habitat e interações entre espécies e interindividuais.

Coordenador: Dr. Eduardo Roberto Alexandrino

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Prof. Dr. Fabrício Barreto Teresa (Universidade Estadual de Goiás) – Peixes como indicadores ecológicos de impactos ambientais.
  2. Prof. Dr. Jose Marcelo D. Torezan (Universidade Estadual de Londrina) – Indicadores ecológicos da vegetação para monitorar conservação e restauração de florestas
  3. Dr. Eduardo R. Alexandrino (Universidade de São Paulo) – Aves como indicadores ecológicos de fragmentos florestais em paisagem antrópica: Diagnósticos ambientais em dicotomia com a legislação brasileira.

A preservação da fauna e da flora brasileira é garantida pela sua atual Constituição Federal. Desse modo, vários documentos legais (de cunho federal, estadual ou municipal) criados para que seja garantido o uso sustentável dos recursos naturais (e.g., extração de recursos florestais, uso dos recursos hídricos, uso e ocupação do solo), solicitam a fauna e a flora como componentes que devem ser aferidos em diversos processos de tomada de decisões. Em outras palavras, espera-se que tais componentes atuem como indicadores ecológicos dos ecossistemas onde vivem para enfim fomentar decisões de intervenção humana que possam ser menos impactantes à natureza (e.g., processo de licenciamento ambiental de empreendimentos, planos de uso racional da água, criação de áreas de preservação ambiental, planos de restauração florestal). Embora o conceito de indicador ecológico esteja sendo abordado em algumas legislações ambientais brasileiras, muitas vezes seu texto simplifica tal conceito, colocando em risco sua real interpretação e aplicação. Sabe-se, por exemplo, que nem todos exemplares da fauna e flora irão, obrigatoriamente, se comportar como indicadores ecológicos. Na verdade, a escolha de um indicador ecológico depende dos objetivos da avaliação, do local avaliado, da escala espacial e temporal envolvida, além de fatores de ordem prática, social e política. Esta linha de pesquisa, e atuais discussões envolvidas, raramente são apresentadas nos diversos cursos de graduação e pós-graduação que formam os profissionais brasileiros que utilizam tais legislações. Logo, a presente mesa redonda, tem o objetivo de demonstrar: 1) os conceitos corretos sobre indicadores ecológicos, 2) apresentar exemplos de aplicação bem sucedida de indicadores ecológicos na avaliação ambiental de ecossistemas terrestres e aquáticos no Brasil (e.g., em processos de licenciamento ambiental e planos de restauração florestal), 3) apresentar exemplos de usos de indicadores falhos e consequências negativas à natureza e sociedade, 4) apresentar quais os desafios envolvidos na procura por indicadores efetivos e 5) apresentar exemplos de legislações ambientais do Brasil que precisam sofrer adequações em seu texto. Estes objetivos serão alcançados por meio das três palestras propostas, duas abordando indicadores ecológicos de sistemas terrestres (avifauna e flora) e uma abordando sistemas ecológicos aquáticos (por meio de peixes). Esta mesa redonda será proferida em português, uma vez que serão apresentados casos brasileiros. O tema é atrativo e altamente útil ao público que compõe o congresso de Ecologia do Brasil (i.e., alunos de graduação, pós-graduação e profissionais).

Coordenador: Dr. Mário Marcos do Espírito Santo

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Dr. Jhonathan Oliveira Silva (Universidade Estadual de Montes Claros) – Características foliares e adaptações contra herbivoria em florestas tropicais secas.
  2. Dr. Luiz Alberto Dolabela Falcão (Universidade Federal do Vale do São Francisco) – Mudanças temporais na diversidade funcional de aves em uma floresta tropical seca.
  3. Dr. Mário Marcos do Espírito Santo (Universidade Estadual de Montes Claros) – Diversidade, funcionamento de ecossistemas e regeneração natural: uma abordagem multi-taxonômica.

O objetivo da mesa-redonda é caracterizar a diversidade de espécies e o funcionamento ecossistêmico (e eventualmente a relação entre esses dois componentes) em florestas tropicais secas (FTSs; também chamadas de florestas estacionais deciduais) em diferentes escalas espaciais e temporais. O conhecimento ecológico acerca das FTSs ainda é limitado e seu grau de proteção é bem menor se comparado a florestas tropicais úmidas. As FTSs são caracterizadas por uma alta deciduidade durante as estações seca, de maneira que os processos ecológicos que determinam seu funcionamento (i.e., produtividade, herbivoria, ciclagem de nutrientes, polinização, dispersão de sementes, entre outros) são diferentes dos observados em florestas úmidas. A comparação da riqueza e composição de espécies, de grupos funcionais e de processos ecológicos ao longo de gradientes ambientais é uma das maneiras de determinar quais fatores afetam o funcionamento dos ecossistemas. Tais gradientes podem ser espaciais (i.e., umidade, altitude, fertilidade de solo perturbação ambiental) ou temporais (i.e., tempo desde um distúrbio). A obtenção dessas informações e entendimento desses processos é fundamental para embasar futuras estratégias de conservação, recuperação de áreas degradadas e uso sustentável de áreas contendo esse tipo de vegetação.

Coordenador: Dra. Clarisse Palma da Silva

Palestrantes:

  1. Dra. Clarisse Palma da Silva (Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita – Brazil) – Integrating Ecology, evolution and genomics of Bromeliaceae
  2. Dr. Luiz Henrique Fonseca (Universidade de São Paulo – Brazil) – Phylogenomics and morphological evolution of “Adenocalymma-Neojobertia” clade (Bignoniceae)
  3. Dra. Andreia Carina Turchetto Zolet (Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Brazil) – Genomic data reveal insights into evolution and adaptation of Myrtaceae species in the Atlantic Forest
Coordenador: Dr. Lucas Del Bianco Faria

Palestrantes e Títulos de Palestras

  1. Dra. Tatiana Cornelissen (UFSJ) – “Meta-análises em ecologia: avanços depois de 25 anos de síntese quantitativa”
  2. Dr. Lucas Del Bianco Faria (UFLA) – “Praticando abstração em ecologia: redes de interação e simulações computacionais”
  3. Dr. Newton Pimentel de Ulhôa Barbosa (UFMG) – “Modelagem computacional de padrões ecológicos: fronteiras e desafios”

(Descrição do Tema abaixo – colocar para abrir quando a pessoa clicar no tema da mesa redonda): A crescente expansão do vasto conhecimento ecológico torna os mecanismos de síntese essenciais para o avanço da ciência. A ecologia e a biologia da conservação estão em uma constante busca de novas ferramentas que permitam a síntese do conhecimento, a busca de padrões e a consolidação de conceitos. Freqüentemente, a síntese de dados permite uma visão do estado da arte de determinado conceito e identifica ainda lacunas no conhecimento. Assim, para construir mecanismos explanatórios em ecologia torna-se hoje essencial a utilização de ferramentas com foco em síntese, ou seja, que liguem análises estatísticas e/ou modelagem aos dados observacionais e experimentais. Algumas das ferramentas de síntese usadas em ecologia envolvem a ciênciometria, meta-análises, modelagem computacional e análise de redes. Tais ferramentas permitem a avaliação quantitativa de bases de dados para gerar conclusões a partir de um conjunto de estudos assim como previsões e novos insights a partir de métodos analíticos. A presente proposta de mesa redonda em “Síntese Ecológica” tem como finalidade apresentar algumas ferramentas de síntese do conhecimento que vêm sendo extensivamente usadas na ecologia e discutir a importância dessas ferramentas na ampliação do conhecimento e na efetividade de busca e confirmação de padrões da literatura ecológica. O objetivo dessa mesa redonda é apresentar algumas das ferramentas de síntese em ecologia, discutir sua aplicabilidade e mostrar exemplos da eficiência dessas ferramentas na consolidação da teoria ecológica e sua aplicabilidade em áreas como a conservação da biodiversidade.

Coordenador: Dr. Mario Ribeiro Moura

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Dr. Mario Ribeiro Moura (UFU) – The multiple facets of macroecology: basic approaches multiplying questions and answers
  2. Dr. Ubirajara Oliveira (UFMG) – Distribution of life on Earth: integrating biogeography and macroecology
  3. Dr. André Rodrigo Rech (UFVJM) – Patterns and processes in macroecology: integrative approaches using functional ecology of plants 

Macroecology has emerged as a promising field in ecology. Overall, the novelty of this particular field can be related to its multidisciplinary nature, with most of the recent studies incorporating theoretical developments in ecology, genetics, geography, and statistics. The technological developments accumulated over the last decades boosted the expansion of macroecology, resulting in the emergence of numerous approaches to study biodiversity patterns. Understanding the applicability, potentiality, and limitations of such numerous approaches may be challenging, particular to undergraduate and graduate students. We propose this roundtable to discuss such multiple facets of macroecology and to highlight its intersection with many other fields in ecology and evolution, such as community ecology, conservation biology, biogeography, and evolution. In the first talk, we would like to characterize the extension in which the term ‘macro’ can be applied in ecology and then discuss the most common strategies to investigate biodiversity patterns across space and time. In the second lecture, we level up the complexity of macroecology approaches by showing how the joint application of phylogenetic knowledge can help to elucidate the history of biogeographic patterns. We intend to show how the integration of different areas can offer strong evidence on the processes that determine the spatial patterns. Finally, the third talk adds other degree of complexity in macroecology approaches in illustrating strategies employed to address functional diversity patterns while accounting for phylogenetic relatedness of taxa under consideration. In this context plants have been undertake as a good model to test many different questions and show interesting patterns. At the end of this roundtable, we hope that our audience could have a glimpse on the multitude of approaches in macroecology and envision how basic approaches in this field can integrate phylogenetic and trait data to improve our understanding on the evolutionary history of species and their intrinsic adaptive capacity to face global changes of the Anthropocene.

Coordenador: Dra. Karla Conceição Pereira

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. M.Sc. Fabrício Cesar Gomes (DAEE/CBH-PS): Gestão de recursos hídricos: avanços institucionais e tecnológicos
  2. Msc. Jorge Luiz Monterio (SABESP): Saneamento urbano e rural com ênfase em controle de perdas
  3. Dr. Alcindo Neckel (IMED): Geocenários: tednologias para uso e conservação dos recursos hídricos
  4. Dr. Lineu Neiva Rodrigues (EMBRAPA): O papel da tecnologia na segurança hídrica e alimentar

Ao considerarmos que a região SUDESTE nos anos de 2014 e 2015 vivenciou um período de estiagem severa, amargando os piores índices em 85 anos de registros históricos, pode-se observar a importância desse tema no contexto da “Segurança Hídrica” na atualidade. O XIII CEB se posiciona como sendo o palco ideal para apresentar novos conhecimentos e avivar os já existentes, proporcionando o nivelamento das possíveis ações e dos atores envolvidos no processo. Não se devem permitir discussões de tal magnitude de forma isolada, sem respaldo institucional significativo de forma ampla e irrestrita. Com os debates aqui propostos, e outros temos que irão surgir ao longo do “Encontro”, pretende-se apresentar o estágio atual ou o mais próximo possível da realidade, dos serviços de saneamento no país e sua importância, dando ênfase no abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos sanitários, tanto em áreas urbanas quanto rurais e os avanços institucionais e tecnológicos obtidos até então. As apresentações irão percorrer e debater sobre assuntos ligados a gestão de risco, controle efetivo das diferentes perdas de água, a interlocução com outras áreas do conhecimento e as ferramentas tecnológicas inovadoras que podem contribuir e muito para gestão racional e mais adequada dos recursos hídricos. Tal discussão pretende ainda, mostrar os enormes desafios ainda a serem enfrentados no país, além das deficiências e em muitos casos da falta de planejamento, investimento, gestão, comunicação e capacitação. Esperamos apresentar também, o atual “status” que o Brasil se encontra quando comparamos com a situação ao redor do mundo. Pretende-se com esta temática, produzirmos ambiente que sirva para subsidiar debates produtivos, compreensões e despertar principalmente nos estudantes um significativo estado de comprometimento com a causa do “uso e preservação dos recursos hídricos”.

Coordenador: Dr. Fabrício Alvim Carvalho

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Dr. Fabrício Alvim Carvalho (Universidade Federal de Juiz de Fora) – Diversidade de espécies arbóreas em fragmentos florestais urbanos
  2. Dra. Andréa Pereira Luizi Ponzo (Universidade Federal de Juiz de Fora) – Briófitas de fragmentos florestais urbanos
  3. Dr. Luiz Menini Neto (Universidade Federal de Juiz de Fora) – Florestas urbanas e áreas verdes como refúgios para epífitas vasculares

O processo de urbanização ocorre de forma crescente e gera reflexos diretos na biodiversidade global. As florestas urbanas tropicais vêm despertando grande interesse na comunidade científica nos últimos anos. Embora funcionem como ilhas de biodiversidade na matriz urbana, em sua maioria apresentam tamanhos reduzidos e estão condicionadas a constantes perturbações antrópicas, especialmente pela presença de espécies exóticas e invasoras, que impedem a progressão da sucessão florestal. Consequentemente, há uma tendência de gradativa homogeneização da biodiversidade em escalas local e regional. Revisões recentes apontam poucos estudos ecológicos desenvolvidos em áreas urbanas, tratando-se de uma lacuna de informações justamente nas áreas com maior necessidade de serviços ambientais para o bem estar humano. Isto limita o subsídio de ações para manejo e conservação da biota nativa. Propomos uma mesa redonda com o propósito de apresentar e discutir informações científicas sobre a ecologia da vegetação urbana da Floresta Atlântica. A mesa redonda será composta por três palestras sequenciais em um único turno (manhã ou tarde). Os palestrantes são docentes do Departamento de Botânica, vinculados ao Programa de Pós-graduação em Ecologia da Universidade Federal de Juiz de Fora. O foco será a vegetação das florestas urbanas e áreas verdes do município de Juiz de Fora (Zona da Mata de Minas Gerais, Brasil), com cerca de meio milhão de habitantes e uma paisagem florestal urbana com distintos históricos de perturbação e regeneração. Apresentaremos resultados de nossos grupos de estudos sobre diferentes táxons nesta paisagem, envolvendo (i) vegetação arbustiva-arbórea, (ii) epífitas vasculares e (iii) briófitas. Abordaremos os aspectos ecológicos referentes à riqueza, estrutura, diversidade e heterogeneidade destes táxons, e realizaremos uma discussão sinérgica acerca da complementariedade das informações na luz de recentes abordagens ecológicas (“novel ecosystems”, filtros ambientais, regras de montagem de comunidades, dentre outras), além da importância das informações conjuntas no estabelecimento de ações de manejo e conservação.

Coordenador: Dr. Nelson Rosa Fagundes

Palestrantes:

  1. Prof. Dr. Nelson Rosa Fagundes (Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Brazil) – Pre-Columbian genetic variation in Native Americans: What can we learn from contemporary urban populations?
  2. Profa. Dra. Kelly Nunes(Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Brazil) Tracking footprints of natural selection in Native American populations.
  3. Prof. Dr. Eduardo Tarazona Santos (Universidade Federal de Minas Gerais – Brazil) – Evolutionary relationships and adaptations of Native American in the Andes and the Amazon Region
Coordenadora: Profa. Dra. Maja Kajin

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Prof. Dr. Gonçalo Ferraz (Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS): Modelagem estatística de populações, entre o progresso no conhecimento e a burocratização da ciência
  2. Profa. Dra. Maja Kajin (Universidade do Estado do Rio de Janeiro): Sobre as evidências e as ausências

Os avanços computacionais das últimas décadas e a popularização das linguagens de programação vêm estimulando o surgimento de novos métodos analíticos e formas de processamento de dados ecológicos. Concomitantemente, as abordagens estatísticas modernas, que vêm sendo usadas em diversos campos de ciência, estão encontrando seu espaço dentro do campo da Ecologia, contribuindo para a flexibilidade das análises e robustez das conclusões. Diante de tal cenário, é vantajoso quando um ecólogo agrega às suas ferramentas algumas habilidades de programador, matemático, ou estatístico. Com ‘estatística moderna’, nos referimos ao desenvolvimento de modelos estatísticos que vão além do teste de uma hipótese nula, e buscam realmente modelar, de forma flexível os processos ecológicos e amostrais que originaram os dados. Em ecologia, esta perspectiva de trabalho encontrou um terreno de aplicação fértil na análise de dados de captura-marcação-recaptura de indivíduos e de ocupação de sítios, tanto no contexto de verossimilhança máxima como no contexto Bayesiano. É perfeitamente compreensível que inovação analítica demore algum tempo a ser absorvida pelos praticantes de ecologia aplicada; porém, é muito importante que essa absorção aconteça e que os ecólogos apliquem o progresso estatístico não só na análise como no planejamento dos seus estudos. Entretanto, as crescentes ameaças à biodiversidade brasileira requerem estratégias de conservação apoiadas por evidência científica sólida, para que as ações implementadas surtam os efeitos desejados. A mesa redonda aqui sugerida propõe levantar uma discussão sobre as dificuldades dos ecólogos em utilizar métodos analíticos modernos, e aplica-los efetivamente em ações de manejo. Serão discutidas a situação atual e as dificuldades encontradas pelos pesquisadores no Brasil, assim como as lacunas identificadas no repasse do conhecimento estatístico aos ecólogos brasileiros e as estratégias para preencher tais lacunas.

Coordenadora: M.Sc.Ticiana S. de A. de Carvalho Pereira

Palestrantes potenciais e títulos provisórios:

  1. Msc. Gilmar Ribeiro Jr. (Instituto Gonçalo Moniz, Fundação Oswaldo Cruz) – Antropização dos remanescentes urbanos de mata e vulnerabilidade de transmissão da doença de Chagas.
  2. Msc. Kathleen Ribeiro Souza (Instituto Gonçalo Moniz, Fundação Oswaldo Cruz) – Insucesso do controle vetorial em modificar a estrutura genética do Aedes aegypti: dissociação entre a metodologia aplicada e dinâmica populacional do mosquito.
  3. Msc. Ticiana S. de A. de Carvalho Pereira (Instituto Gonçalo Moniz, Fundação Oswaldo Cruz) – Resiliência e controle de roedores: barreiras e perspectivas para o controle de populações urbanas de Rattus norvegicus.

Descrição: Em países emergentes, o crescimento populacional dos grandes centros urbanos, fruto da migração demográfica da zona rural para a urbana, gerou aglomerados subnormais e expansão imobiliária. Tais fatos acarretam em ocupação desordenada de remanescentes de mata, parques ou áreas de proteção ambiental na paisagem urbana. A ocupação desordenada, por sua vez, associada a condições sanitárias insuficientes e/ou inadequadas políticas públicas de crescimento urbano, cria um quadro propício para re-emergência de doenças infecciosas, geralmente pela coexistência de vetores e reservatórios e o homem, no seu ambiente domiciliar. Mosquitos do gênero Aedes são vetores de diversos agentes infecciosos, como os vírus da dengue, chikungunya, febre amarela e Zika, sendo que este último tem como desfecho mais grave a microcefalia. Já os “barbeiros” são percevejos hematófagos que podem transmitir o Trypanosoma cruzi e causar a doença de Chagas ao homem, com oito milhões de pessoas infectadas no mundo, e 10000 mortes diárias por complicações associadas à doença. Ainda, mamíferos roedores da espécie Rattus norvegicus são considerados o principal reservatório de bactérias do gênero Leptospira, que causa anualmente > um milhão de casos de leptospirose em humanos no mundo, com ~60000 mortes. Esses animais sinantrópicos, por sua plasticidade ecológica, mantêm suas taxas populacionais elevadas no ambiente urbano e periurbano, e as estratégias de controle tradicionalmente aplicadas são ineficazes. Para ilustrar, o programa de controle da dengue é realizado dentro limites administrativos (quarteirões, estratos, municípios, etc) que não correspondem às áreas de influência do Aedes, com a premissa de que este tenha uma distribuição limitada ao 1º andar das edificações e a um voo de 100 metros. Em se tratando de doença de Chagas, a aproximação da população humana aos remanescentes de mata nos centros urbanos tem tornado frequente o encontro de triatomíneos com elevada taxa de infecção pelo T. cruzi no interior de residências. Todavia, não existem políticas públicas para o controle populacional de triatomíneos silvestres ou mesmo peridomiciliares. Por outro lado, o manejo de roedores baseado em ecologia vem sendo proposto como alternativa para as intervenções químicas tradicionais, porém este encontra barreiras de aplicação no ambiente de aglomerados urbanos. Ao destacar a complexidade de habitats no ambiente urbano e o estreito contato entre vetores, reservatórios e humanos, esta mesa tem como objetivo discutir sobre as dificuldades para intervenção e perspectivas de controle destas populações de animais eminentemente sinantrópicos.

Coordenadora: Dr. Richard Tito Leon

Palestrantes potenciais e títulos provisórios:

  1. Dr. Ben Hur Marimon Junior (Universidade do Estado de Mato Grosso) – Mudanças Climáticas e o futuro da Amazônia
  2. Msc. Lívia Cristina Pinto Dias (Universidade Federal de Viçosa) – Relação entre mudanças no uso e cobertura do solo e clima
  3. Dr. Richard Tito Leon (Universidade Federal de Uberlândia) – Efeitos diretos e indiretos das mudanças climáticas nas plantas

As mudanças climáticas representam uma das maiores ameaças para a biodiversidade, a agricultura e a segurança alimentar. Esse cenário é especialmente importante tendo em vista o rápido crescimento populacional mundial, aumento da renda per capta e, consequentemente, o aumento da exploração de recursos naturais. Os Andes e o Cerrado são biomas altamente biodiversos e são regiões de importância mundial na produção de alimentos. A Amazônia, além de abrigar a maior biodiversidade do planeta, é um dos ecossistemas de maior estoque de carbono. Contudo, estas regiões encontram-se altamente ameaçadas pelas mudanças climáticas e pelas perturbações antrópicas (como o desmatamento e as mudanças no uso do solo), sendo assim áreas prioritárias para conservação. Desenvolver estratégias eficazes de gestão de conservação e do uso sustentável dos recursos nestes ecossistemas é, portanto, uma necessidade atual e um dos maiores desafios para cientistas, conservacionistas e políticos. Um amplo conhecimento sobre os impactos das mudanças ambientais globais é necessário para realizar ações efetivas de adaptação e mitigação, e assim reduzir os potenciais efeitos negativos. Esta mesa redonda incluirá discussões sobre os impactos das mudanças ambientais globais nos distintos níveis de organização biológica. Serão discutidos resultados de estudos experimentais, de monitoramento e de modelos de projeção em três importantes ecossistemas tropicais, os Andes, a Amazônia e o Cerrado.

Coordenador: Dr. Paulo S. Pompeu

Palestrantes potenciais e títulos tentativos

  1. Dr. Paulo S. Pompeu (UFLA). É possível mitigar os impactos de barragens sobre os ambientes aquáticos?
  2. Dr. André L. B. Magalhães (UFSJ). É possível mitigar os impactos de introduções de espécies exóticas sobre os ambientes aquáticos?
  3. Dra. Carla Natacha Marcolino Polaz (ICMBio) – O papel dos Planos de Ação Nacional para a Conservação das Espécies Ameaçadas

Barragens, introdução de espécies exóticas e mudanças no uso do solo representam algumas das maiores ameaçadas à biodiversidade de água doce na região neotropical, e em especial aos peixes. Diferentes medidas têm sido propostas para a minimização desses impactos, inclusive através de legislações específicas, mas essas nem sempre são adequadas podendo, em algumas situações, agravar os processos de degradação ambiental. Desta maneira, esta mesa redonda se propõe a discutir este grande desafio à conservação desta importante parcela da biodiversidade.

Coordenador: Dr. Fabrício Rodrigues dos Santos

Palestrantes:

  1. Dr. Fabrício Rodrigues dos Santos (Universidade Federal de Minas Gerais – Brazil) – Conservation genetics of high-altitud endemic vertebrates.
  2. Dr. Jorge Abdala Dergam dos Santos (Universidade Federal de Viçosa – Brazil) – A molecular insight in the Neotropical freshwater fishes
  3. Dr. Evanguedes Kalapothakis (Universidade Federal de Minas Gerais – Brazil) – Applied genetics for forensic biology and conservation
Coordenador: Dr. Geraldo L. G. Soares

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Dr. Renê G. S. Carneiro (Universidade Federal de Goiás) – The paradigm of oxidative stress in galls
  2. Dra. Rosy M. S. Isaias (Universidade Federal de Minas Gerais) – The true role of phenolics
  3. Dr. Geraldo L. G. Soares (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) – Semiochemistry of galls: can they chat?

Descrição: The study of plant galls has been showing that they are good models for the evaluation of chemical signaling and metabolic interactions between host plants and the associated gall-inducing organisms. Even though the mechanisms involved in gall induction and development are not completely elucidated, current researches point out signaling molecules such as green volatiles, terpenes, phenolic derivatives, and reactive oxygen species (ROS) as important for the processes of recognition and establishment of gall inducers inside plant tissues. Even though the role of secondary metabolites is well studied for a great range of insect-plant interactions, galls are still poorly known as far as the functionality of secondary metabolites in gall tissues are concerned. Recent studies in neotropical gall models indicate that volatiles may work as semiochemicals, with important roles in the network of ecological relationships between plants, gall-inducing organisms, and other associated biota. In addition, the accumulation of ROS has been considered a triggering process of the plant cell responses to the galling stimuli. Plant cells respond to such burst of ROS production by accumulating phenolics at the sites of gall development, where they scavenge the excess of ROS and promote cell homeostasis. Phenolics accumulation leads to the impairment of AIA-oxidases activity, which consequently leads to increased levels of bioactive AIA in gall tissues. The interaction of ROS-phenolics-AIA, currently evidenced by histochemical and immunocytochemical analyses, explains at least one of the most common symptoms of gall development, i.e., cell hypertrophy. Cell hypertrophy occurs concomitantly with tissue hyperplasia, which requires the activity of cytokinins. Such class of plant hormones has been histochemically detected in gall tissues just recently, with overlapping sites of detection of ROS, phenolics, and IAA, thus denoting a synergistic action of such molecules.

Coordenador: Dr. Newton P. U. Barbosa

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Dra. Maria Gabriela G. de Camargo (UNESP – Rio Claro) – Diversidade espacial nos padrões de cores em flores de campos rupestres
  2. Msc. Lucas Neves Perillo (Universidade Federal de Minas Gerais) – Mecanismos que determinam a distribuição de vespas e abelhas em ambientes altimontanos do Sul da Cadeia do Espinhaço
  3. Msc. Cássio Alencar Nunes (Universidade Federal de Lavras) – Besouros rola-bostas (Coleoptera: Scarabaeidae: Scarabaeinae) e suas funções ecológicas ao longo de um gradiente altitudinal tropical

Descrição: Ecossistemas de montanhas ocorrem em todas as zonas climáticas do globo, representando em torno de 25% da sua área total. Embora não exista uma definição universal para montanhas, elas podem ser caracterizadas por um conjunto de atributos físicos e biológicos comuns: terras de elevada altitude, climas variados, alta proporção de espécies endêmicas e nativas, além de serem reservatórios naturais de água. Na América do Sul, apenas uma pequena porção destas regiões são estudadas, não obstante a sua importância e potencial gerador de novos padrões ao conhecimento dos processos e mecanismos que influenciam a biodiversidade. A montanha é um laboratório que pode ajudar no entendimento das respostas dos organismos às variações ambientais e mudanças globais. Em ambientes de montanha, as variações altitudinais são acompanhadas por um gradiente térmico e hídrico, portanto espera-se que estas mudanças afetem diretamente estes ecossistemas e suas comunidades biológicas. Entretanto, com raras exceções (e.g., cordilheira dos andes) as montanhas tropicais possuem curta amplitude altitudinal mas são muito heterogêneas em topografia e variação edáfica. Os principais conjuntos de montanhas do Brasil — Cadeia do Espinhaço, Serra da Mantiqueira e Serra do Mar — possuem baixa amplitude altitudinal e são formadas por verdadeiros mosaicos edafo-topográficos que influenciam diretamente a composição de sua vegetação. Se fortalece cada vez mais a visão de que os campos rupestres da Cadeia do Espinhaço, assim como campos de altitude associados à Serra da Mantiqueira e Serra do Mar, são formados não por um continuum altitudinal e ambiental, mas por um mosaico em que a predominância de uma fisionomia sobre as demais ao longo das quotas altitudinais parecem ser os mecanismos determinantes da distribuição das espécies. Esta mesa redonda será composta por três apresentações envolvendo padrões, mecanismos e futuras perspectivas de pesquisas envolvendo a distribuição de espécies em gradientes altitudinais tropicais.

Coordenador: Dr. Luiz Fernando S. Magnago

Palestrantes potenciais e títulos tentativos:

  1. Dr. Luiz Fernando S. Magnago (Universidade Federal de Lavras) – Resistência e resiliência do funcionamento ecossistêmico em paisagens fragmentadas e degradadas
  2. Dr. Eduardo van den Berg (Universidade Federal de Lavras) – Há vida após o desmate? Conservação e manejo da biodiversidade em áreas de produção
  3. Dr. Rodrigo Fagundes Braga (Universidade Federal de Lavras) – Estamos estimando a perda de funções e serviços ecossistêmicos de maneira correta? Métodos e estudos de caso

Descrição: Um dos maiores problemas do século 21 está em como manejar os ecossistemas de forma a manter a biodiversidade e seu funcionamento e, ao mesmo tempo, manter bens e serviços ecossistêmicos (i.e. como alimentos, energia e controle de desastres) necessários para sustentar os mais de sete bilhões de pessoas residentes no planeta Terra. Tais problemas são hoje palco de grandes discussões mundiais, tais como a COP 21 – Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. No território brasileiro todos os domínios sofreram e continuam sofrendo reduções desde o início da colonização. Da área original da Floresta Atlântica, apenas 12% ainda permanece florestada. Mesmo com o histórico de desmatamento mais recente, o Cerrado já perdeu cerca de 50% de sua área original para uso agrícola e é o domínio que apresenta as maiores taxas de perdas anuais. Apenas a Floresta Amazônica ainda guarda cerca de 80% de sua cobertura original. Apesar da perda de biodiversidade das florestas e dos cerrados ser reconhecida globalmente, pouco ainda se sabe ou se atenta para o que acontece com as funções e serviços ecossistêmicos nestas paisagens frente as ações antrópicas. Uns dos motivos para essa falta de informação, esta relacionado as formas de prever e mensurar essas funções e serviços ecossistêmicos. O conhecimento sobre a resiliência e resistência destes serviços em paisagens transformadas é fundamental. Tal preocupação se torna ainda mais importante se pensarmos que a maior parte dos habitats e paisagens antropizadas são e serão de uso permanente (i.e. urbanização, agricultura, barragens, linhas de energia, etc). Isso nos alerta para a importância de redirecionar o foco de nossas pesquisas para o entendimento do funcionamento ecossistêmico na perspectiva dos “novos ecossistemas” e como estes interagem com os ecossistemas naturais. Outra questão chave está no entendimento das relações de co-benefícios entre a biodiversidade e suas funções e serviços ecossistêmicos prestados. Nessa mesa redonda iremos discutir estes pontos, trazendo dados e métodos relevantes que quantificaram a capacidade de resistência e resiliência do funcionamento e dos serviços ecossistêmicos providos pelas florestas tropicais dentro de habitats antrópicos e naturais nos diferentes biomas do Brasil.

Coordenador: Dr. Pedro Bond Schwartsburd

Palestrantes potenciais e títulos provisórios:

  1. Dra. Luanda Soares (Instituto de Botânica) – Biogeografia de Algas Marinhas Vermelhas, com base em evidências moleculares
  2. Dr. Denílson Fernandes Peralta (Instituto de Botânica) – Padrões de distribuição geográficos de Briófitas
  3. Dr. Pedro Bond Schwartsburd (Universidade Federal de Viçosa) – Exemplos em Polypodiopsida (samambaias)

Descrição: Alguns grupos de plantas apresentam padrões de distribuição geográfica muito peculiares, apresentando, em certos casos, disjunções continentais. Existem algumas hipóteses que tentam explicar tais disjunções, invocando conceitos básicos de biogeografia (dispersão e vicariância). Estas disjunções são visíveis tanto em grupos basais de plantas (p.ex. algas, musgos, licófitas), como em grupos mais recentes (p.ex. bromélias). A tendência é explicar as disjunções de linhagens antigas através da deriva continental; já para grupos mais recentes, a explicação se dá através da dispersão a longa-distância, muitas vezes envolvendo agentes dispersivos (incluindo a ação antrópica). As hipóteses da data de origem dos grupos se baseiam em fósseis confiáveis e datação molecular, porém são comuns hipóteses conflitantes. O objetivo da presente mesa-redonda é trazer exemplos e comparar padrões de distribuição geográfica disjunta de grupos que são pouco tratados nos exemplos acadêmicos. Os grupos selecionados são: algas vermelhas (Rhodophyceae), musgos (Bryopsida), samambaias (Polypodiopsida) e angiospermas basais (Magnoliopsida, Magnoliiideae).